
Relato de Luiz Arão Araújo Carvalho, o maior especialista em Inteligência Artificial do Tocantins sobre o prêmio que ganhou com um projeto de IA para Defensorias.
Na semana passada, eu estava em Foz do Iguaçu, representando a Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) no Congresso Nacional de Tecnologia e Inovação das Defensorias Públicas (CNTI.Def). O ar estava carregado de expectativa, com centenas de profissionais de todo o país reunidos para celebrar a inovação no serviço público. E então, o anúncio: na categoria “Eficiência Operacional, Segurança e Sustentabilidade Tecnológica”, o vencedor era o nosso projeto, o DefGPT.
Receber esse prêmio foi a prova de que a inovação com propósito pode, de fato, transformar o serviço público. O DefGPT não nasceu de uma ideia abstrata; ele surgiu da escuta ativa dos desafios diários enfrentados aqui na Defensoria. Ele se tornou uma ferramenta estratégica para ampliar o acesso à justiça com inteligência, eficiência e, acima de tudo, humanidade.

Mas, afinal, o que é o DefGPT e como ele funciona? Deixe-me contar a história por trás da tecnologia.
O Desafio: Segurança, Custo e Eficiência
Toda defensoria enfrenta um trio de desafios constantes: como inovar garantindo a segurança dos dados sensíveis dos nossos assistidos? Como fazer isso com um orçamento limitado? E como otimizar o trabalho para que nossos defensores e analistas possam focar no que realmente importa: a estratégia jurídica e o atendimento humano?
Muitas ferramentas de IA no mercado são poderosas, mas enviam nossos dados para servidores de terceiros, criando um risco de privacidade. Além disso, os custos podem ser proibitivos. Queríamos a IA, mas queríamos nos nossos termos.

A Solução: Apresentando o DefGPT
Foi nesse contexto que projetamos e desenvolvemos o DefGPT.
O DefGPT é mais do que um simples “chat”. É uma plataforma de processamento multiagente de IA, modular e escalável. A ideia central é criar um ecossistema onde diferentes defensorias possam colaborar, desenvolver e compartilhar “agentes” de IA, cada um especialista em uma tarefa específica.

Como Funciona a Orquestra de Agentes?
Imagine um maestro (o Coordenador de Agentes) com uma orquestra de músicos especialistas. É assim que o DefGPT funciona.
1 — Um sistema externo (como o Solar, nosso sistema de gestão) envia uma tarefa. Por exemplo: “Analise o processo X para encontrar honorários”.
2 — A tarefa chega ao Coordenador de Agentes, o cérebro do sistema. Ele não executa a tarefa, mas sabe exatamente qual “agente especialista” chamar.

3 — O Coordenador consulta as configurações. Cada defensoria (por estado, como o “TO”) pode definir qual provedor de IA usar (Ollama local, Google, OpenAI), qual modelo específico (Llama3, Gemini 1.5) e até mesmo o prompt de comando para cada agente. Isso nos dá total flexibilidade e autonomia.
4 — O Coordenador então aciona o agente correto. Temos agentes para diversas finalidades: analisar honorários, resumir chats de atendimento, escrever petições, e muitos outros podem ser criados.

5 — O agente especialista executa sua função de forma autônoma. No nosso caso de uso premiado, o “Analisador de Honorários” se conecta ao sistema do tribunal (via ProcAPI, por exemplo), baixa os documentos relevantes, os analisa com a IA e retorna a resposta: “sim, há honorários” ou “não, não há”.

O melhor de tudo? A plataforma é modular. Precisamos de um novo agente para “Qualificar Atendimentos”? Simples, criamos um novo “robô” especialista e o adicionamos à nossa orquestra.
Essa arquitetura nos permite escalar e criar um exército de assistentes virtuais para automatizar tarefas repetitivas em toda a Defensoria.

Resultados que Falam por Si
A teoria é ótima, mas e na prática? O agente “Analisador de Honorários” foi nosso caso de teste e os resultados foram impressionantes.
- Capacidade: Ele consegue analisar cerca de 3.000 processos por dia.
- Eficiência: Uma análise de 35.000 processos que levaria 2,1 anos para ser feita manualmente foi concluída em apenas 11,7 dias. Um ganho de eficiência de 97,33%!

- Retorno Financeiro: A automação dessa tarefa representa um retorno potencial de aproximadamente R$ 4,6 milhões em honorários que poderiam ser perdidos ou demorar anos para serem identificados.
- Custo de Implementação: Gasto adicional? R$ 0,00. Utilizamos a infraestrutura que já tínhamos.
E o hardware necessário? Nenhuma supermáquina. Rodamos tudo em um servidor modesto, sem GPU dedicada e com 32GB de RAM. Isso prova que a inovação pode ser acessível e sustentável.
Acreditamos que este é só o começo. O DefGPT foi construído para ser uma base sólida sobre a qual podemos construir dezenas de outras soluções, sempre com o foco na colaboração entre as Defensorias Públicas do Brasil.
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Vídeo do Pitch completo: https://youtu.be/_XiJXZFB8O4
DefGPT, projeto desenvolvido pela equipe da Defensoria Pública do Estado do Tocantins, como desenvolvedor Luiz Arão Araújo Carvalho.
Matérias:
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